
O jornalista e poeta José Edward lança logo mais, às oito da noite, no Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação, o livro Pátria Que Pariu & Outros Poemas.
O livro revela, por meio de alguns dos 28 poemas escritos ao longo dos últimos 18 anos, toda a indignação do autor causada pela crise ética e pelos (maus) costumes políticos vigentes no Brasil.
Uma primeira versão de “Pátria que Pariu!” foi lançada em 1989, quando José Edward era estudante do curso de jornalismo da PUC-Minas e militante de movimentos culturais e estudantis. O livro fez sucesso e chegou a ganhar uma página no antológico semanário carioca O PASQUIM.
“O início da era Collor fez com que renovássemos as esperanças depois de um longo período de silêncio. Acreditamos na possibilidade da construção de um país melhor e nos decepcionamos”, disse Edvard, ao Site do Jornalismo do Uni-BH.
Na (re)edição do livro “Pátria Que Pariu!”, José Edward, que há dez anos é correspondente da Revista VEJA em Minas Gerais, faz uma releitura de alguns poemas da primeira versão e mostra que hoje se vive uma história muito parecida com o que aconteceu há quase duas décadas.“Meus poemas geralmente abordam, de forma cáustica e direta, as mazelas, as excrescências e as corruptelas de uma pátria que, entra governo sai governo, está sempre no porvir”, afirma Edward.
Segundo o autor, os versos antigos foram lapidados no conteúdo e na linguagem. “Para mim, a poesia é como um diamante bruto, cujo burilamento faz-se eternamente mister, em busca do verso perfeito”, ele afirma.
Os demais poemas são inéditos e foram construídos à luz de “informações e inspirações” garimpadas pelo autor ao longo da última década quando dedicou-se quase que exclusivamente ao jornalismo. “Mesmo aqueles versos compostos há duas décadas – e isto foi o que me motivou a revisitar esta obra – parecem ter saído do forno em meio à atual farra patrocinada pela horda de políticos corruptos, insensíveis e incompetentes que trucidaram toda e qualquer esperança de que dias melhores virão”.
O formato do livro também é original. Todos os poemas foram dispostos em lâminas de papel reciclado, que vêm soltas dentro de uma caixa ilustrada com uma expressiva cena brasileira captada pelo fotógrafo Alberto Escalda.
Alguns poemas do livro “Pátria Que Pariu!”, de José Edward:
Lei da Selva
(José Edward)
a lei
que aqui
se ditava
era dura
era dente
por dante
(um inferno!)
era olho
por alho
(e como ardia!)
hoje é apenas
uma lembrança
triste e vazia
(mas como ainda
DOI CODI!)
Pt Saudações
(José Edward)
ex-
Patriotas
cínicos e
emPedernidos
exProPriaram
nossas esPeranças
e transformaram-se em Párias da Pátria;
ex-Paladinos da moralidade
revelaram-se corruPtos
viliPendiaram nossos sonhos
e agora são Pigmeus da ética
com a devida vênia
dos anões do Pefelê,
do Peemedebê,
do Peessedebê
e de tudo
quanto é
P
100 anos sem solidão
(José Edward)
ao centenário Oscar Nieymeyer

the Oscar goes to…
… oscar niemeyer
nosso prêmio nobel de arquitetura
um midas do concreto
que no lugar do traço reto
desenha curvas subversivas
suspensas no vento
inspiradas nas montanhas de Minas
como o pensamento
linhas curvilíneas
que desafiam a lei da gravidade
repletas de voz e silêncio
de sombra e de luz
como o jazz
um sopro de vida
que afugenta a solidão
que abriga a festeira
e aguerrida multidão
sua macondo é uma aldeia global niilista
onde vigora o comunismo
não o real, mas o imaginário, o ideal
o utópico, o humanista, o solidário
eis o nosso dom quixote
cuja imortalidade conquistou em vida
a vida que, para ele,
apesar de dura,
é mais importante